Editorial | Será o fim de uma era? Festeiros das Festas de Agosto 2026 apostam em mudanças que reacendem o debate entre tradição e renovação

As tradições não são imutáveis. Ao longo dos anos, elas evoluem, se adaptam e, muitas vezes, despertam paixões e controvérsias. Nas tradicionais Festas de Agosto de São Roque, esse processo não é novidade. A cada edição, novos festeiros, novos párocos e diferentes administrações municipais deixam suas marcas, promovendo alterações que dividem opiniões entre aqueles que defendem a preservação da história e os que enxergam na renovação um caminho natural.

Um exemplo recente ocorreu em 2021, quando a administração do prefeito Guto Issa criou o Viva São Roque, no Recanto da Cascata. A proposta, inicialmente alvo de críticas e até de memes nas redes sociais, consolidou-se ao longo dos anos e hoje reúne milhares de pessoas, especialmente jovens e famílias, tornando-se um sucesso de público sem interferir na programação religiosa.

Agora, é a vez da parte religiosa passar por mudanças significativas. Como antecipado por nosso portal, a Paróquia de São Roque optou pela confecção de uma réplica da imagem do padroeiro para as procissões, enquanto a imagem original, recentemente restaurada, permanecerá preservada em seu nicho. A decisão foi amplamente debatida nas redes sociais, recebendo manifestações favoráveis e contrárias.

Mas as novidades não param por aí. Os festeiros Luiz Antonio e Rosangela Cockell, juntamente com José Luis e Amanda Bonini Franchin, em conjunto com o pároco da cidade, devem implementar outras mudanças que já movimentam os bastidores.

Entre elas está a estreia de um novo andor para conduzir a réplica de São Roque durante a procissão, menor e mais leve. Também chega ao fim a tradicional camiseta amarela que identificava os carregadores do andor. Outra tradição que deve desaparecer é a medalhinha — ou botão — entregue ao Bando Precatório. E, por falar nisso, há a possibilidade de que as meninas de branco, Guardiãs de Nossa Senhora Assunção também deixem de carregar o andor da padroeira, abrindo espaço para que outros fiéis também participem desse momento.

Há ainda a intenção de tornar a saída dos padroeiros mais simples, reduzindo parte da pompa e da solenidade que marcaram as celebrações por décadas.

Na programação festiva, algumas atrações também deixaram de existir. As tradicionais tardes kids, promoções de produtos em dobro e outras ações que já faziam parte do calendário não estarão presentes nesta edição.

É evidente que toda mudança gera desconforto. Afinal, as Festas de Agosto não pertencem a uma gestão, a um padre ou a um grupo de festeiros. Elas pertencem à história de São Roque e ao sentimento de gerações que cresceram acompanhando cada detalhe dessa celebração.

Por outro lado, também é verdade que nenhuma tradição permanece exatamente igual ao longo do tempo. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre preservar a identidade da festa e permitir que ela acompanhe as necessidades e os novos tempos, sem perder sua essência.

Em mensagem encaminhada ao nosso portal, os festeiros afirmaram que a edição de 2026 será realizada “como sempre foi, com muita alegria, respeito e participação de todos”. Eles ainda anteciparam que a missa solene do dia 15 de agosto contará com um momento especial: será celebrada de forma campal e presidida pelo bispo diocesano, Dom João Bosco.

As mudanças estão postas. Agora, caberá ao tempo — e principalmente à comunidade são-roquense — dizer se elas representam apenas uma nova fase da festa ou o encerramento de uma era marcada por tradições que, por décadas, ajudaram a construir a identidade das Festas de Agosto.

Nosso portal continuará acompanhando atentamente cada capítulo dessa história.
Viva São Roque! Viva, Viva, Vivaaa!