Menos tela, mais sono: por que desligar o celular à noite pode mudar suas noites

OMS alerta para os impactos do excesso de telas sobre o sono, especialmente entre crianças e adolescentes; criar um ritual sem celular pode ser um dos primeiros passos para descansar melhor

Existe um momento em que o corpo começa a pedir descanso, mas a tela continua acesa. Mais uma mensagem, um vídeo, uma notícia, alguns minutos nas redes sociais. Quando percebemos, já passou da hora de dormir.

O hábito parece inofensivo, mas a relação entre uso excessivo de telas e sono tem chamado a atenção das autoridades de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o aumento do comportamento sedentário, especialmente aquele relacionado ao uso recreativo de telas, está associado à redução da duração do sono entre crianças e adolescentes.

Em 2024, um levantamento divulgado pelo escritório europeu da OMS com quase 280 mil jovens de 11, 13 e 15 anos, em 44 países e regiões, mostrou outro sinal de alerta: o uso problemático de redes sociais aumentou de 7% em 2018 para 11% em 2022. Segundo a organização, esse padrão está associado a dormir menos e a ir para a cama mais tarde.

Quando a noite vira extensão do dia

O problema não está simplesmente em ter um celular ou assistir televisão. A questão é quando a tecnologia começa a ocupar justamente o espaço reservado ao descanso.

Uma tela à noite pode prolongar a rotina, estimular a mente e fazer com que o horário de dormir seja adiado. Para crianças e adolescentes, o impacto merece atenção especial, já que o sono adequado faz parte de uma rotina essencial para o desenvolvimento.

A própria OMS recomenda que crianças e adolescentes limitem o tempo sedentário, principalmente o uso recreativo de telas. Para os menores de 5 anos, as orientações são ainda mais específicas: crianças de 3 e 4 anos devem ter no máximo uma hora diária de tempo sedentário diante de telas, enquanto para crianças de 1 ano o uso não é recomendado e, aos 2 anos, deve ficar em até uma hora.

E se o melhor hábito da noite fosse simplesmente parar?

Nem sempre é necessário transformar a rotina de uma hora para outra. Começar pequeno pode fazer diferença.

Deixar o celular longe da cama, reduzir o uso de telas antes de dormir, diminuir estímulos nas últimas horas do dia e criar um ritual mais tranquilo podem ajudar a sinalizar ao corpo que o dia está chegando ao fim.

Um livro, uma conversa, uma música calma ou simplesmente alguns minutos em silêncio podem ocupar aquele espaço que antes era preenchido pelo brilho da tela.

E talvez exista uma pergunta simples para fazer hoje à noite: quando você deita, está realmente descansando ou apenas trocou uma tela por outra?

Porque dormir bem não significa apenas fechar os olhos. É dar ao corpo e à mente a oportunidade de desacelerar. E, às vezes, o primeiro passo para uma noite melhor pode estar justamente naquele gesto pequeno de colocar o celular de lado.

Os dados da OMS reforçam que o equilíbrio é parte importante dessa conversa. A tecnologia faz parte da vida, mas o sono também precisa ter seu espaço.