25 ANOS SEM ALEXANDRE DELGADO: NOME QUE TIROU SÃO ROQUE DA TIMIDEZ E COLOCOU A SOCIEDADE SOB OS HOLOFOTES

Produtor, colunista, professor e personagem inesquecível de uma época, Alexandre Delgado transformou festas, lançou tendências, provocou, divertiu e deixou um legado que permanece vivo 25 anos depois.

Crédito fotos: Will Batista / Mônica Delgado

Há pessoas que passam por uma cidade. Outras ajudam a mudar a maneira como uma cidade se enxerga. Alexandre Delgado foi uma delas.

Há 25 anos, São Roque se despedia daquele que, para muitos, foi um dos seus maiores produtores de festas e um verdadeiro ícone da vida social. Alê inventou, ousou e se reinventou. Pegou uma sociedade ainda tímida e a colocou sob os holofotes, eternizando personagens, acontecimentos e noites memoráveis nas páginas da coluna Caras & Bocas.

Com personalidade inconfundível, humor afiado e um vocabulário que incorporava com irreverência o pajubá da comunidade LGBTQIA+, Alê não tinha medo de ser diferente. Pelo contrário: fez da diferença uma de suas maiores marcas.

E suas festas? Ganharam ares hollywoodianos.

Na porta, drag queens belíssimas recepcionavam os convidados. Em suas produções passaram nomes como Jorge Lafond, eternizado como Vera Verão; Elke Maravilha; Nany People; Paulette Pink e Edson Cordeiro. Era espetáculo antes mesmo de a festa começar.

Quem viveu aquela época certamente se lembra da expectativa para conferir, aos sábados, quem apareceria na Caras & Bocas — ou quem entraria para a comentadíssima lista dos Melhores & Piores. E como esquecer as festas do Ski Mega Dance, capazes de movimentar o Parque e o bairro do Cambará e suas adjacências?

Teve até aniversário na famosa casa 18+, quando boa parte da sociedade queria descobrir, despida de qualquer pudor, o que acontecia na tão comentada “casa do babado”.

Vinte e cinco anos depois, uma pergunta é inevitável: o que Alê Delgado faria na era das redes sociais? É fácil imaginar que encontraria nelas mais um palco para criar, provocar, lançar tendências e movimentar São Roque.

O tempo passou, mas algumas lembranças se recusam a envelhecer.

Tenho uma gratidão especial por ter recebido a oportunidade de dar continuidade a parte desse legado, mantendo vivos projetos como Caras & Bocas, Mostra Moda e Melhores & Piores, marcas de uma época que ajudaram a escrever a memória social e cultural da nossa cidade.

Alê Delgado foi professor e inspiração. Foi irreverência, criatividade, coragem e vanguarda. E talvez essa seja uma das maiores provas de sua importância: 25 anos depois, ainda estamos falando dele. Ainda lembramos das festas. Ainda contamos suas histórias.

Porque quem realmente marca uma geração não desaparece quando as luzes se apagam.

Viva Alê Delgado! Viva sua irreverência, sua memória e seu legado!