Editorial | A memória de Alexandre Delgado merecia respeito, sensibilidade e gratidão

Evento terá Renascer Praise, Gabriela Rocha, Isaias Saad, Valesca Mayssa, Ton Carfi e outros artistas em uma grande celebração de fé pelas ruas da cidade

Pensei e repensei antes de escrever estas palavras. Mas me calar, diante do que vi, seria também uma forma de omissão.

Recebi com profunda tristeza a maneira como o semanário O Democrata decidiu recordar os 25 anos da morte de Alexandre Delgado, um nome icônico, um mestre da comunicação, das festas e da vida social são-roquense.

Se a intenção era homenagear ou relembrar a trajetória de Alexandre, que teve sua vida brutalmente interrompida há 25 anos, o jornal errou. E errou feio.

Republicar o conteúdo daquele dia trágico, trazendo novamente à tona detalhes e páginas relacionadas à sua morte, não me parece homenagem. Falta sensibilidade com a memória de Alexandre e, sobretudo, respeito com uma família que não precisa ser submetida novamente à dor daquele momento.

Havia tantas outras formas de lembrá-lo.

Material não falta. São inúmeras fotografias, histórias e páginas produzidas durante os anos em que Alexandre esteve à frente da nossa tão querida Coluna Caras & Bocas. Poderiam ter sido relembradas suas noites inesquecíveis, as badalações, as grandes festas, as personalidades que trouxe para São Roque, sua irreverência, seu talento e até suas passagens pela própria redação de O Democrata para acompanhar e corrigir as páginas da coluna.

Esse, sim, é o Alexandre que merece ocupar páginas inteiras.

O homem criativo. O produtor que ousava. O comunicador que transformou uma sociedade ainda tímida em personagem de suas próprias páginas. O profissional que ajudou a construir parte da história daquele próprio jornal.

Não consigo deixar de pensar que, se estivesse entre nós, o professor Élcio Boccato dificilmente permitiria uma decisão editorial dessa natureza.

Não se trata de apagar a história ou negar os fatos. Jornalismo também é memória. Mas existe uma enorme diferença entre registrar um acontecimento e, 25 anos depois, escolher como revisitá-lo. Contexto, humanidade e respeito também fazem parte do jornalismo.

Uma retratação à família seria o mínimo. Mais do que isso, seria de bom tom reconhecer, com a devida grandeza, a parceria e a contribuição que Alexandre Delgado deixou durante sua passagem por aquela redação e por nossa cidade.

Porque Alexandre merece ser lembrado pela vida que viveu, pelo talento que espalhou, pelas portas que abriu e pelo legado que construiu — e não pela brutalidade de seus últimos momentos.

Minha solidariedade e meu carinho à família Delgado, especialmente a Xico, Mônica e Dona Ivone.

O tempo passou. Vinte e cinco anos se foram. Mas algumas pessoas conseguem vencer o próprio tempo.

Alexandre Delgado é uma delas.

Seu legado permanece vivo na memória e no coração daqueles que tiveram a grata satisfação de conviver, trabalhar, aprender, festejar e compartilhar momentos ao seu lado.

Viva Alexandre Delgado. Viva sua história. E, acima de tudo, respeitemos sua memória.