Hoje foi o Dia Internacional do Café: saiba os benefícios e os possíveis malefícios da bebida

Bebida que faz parte da rotina de milhões de pessoas pode trazer efeitos positivos, mas o excesso de cafeína exige atenção; veja o que dizem as evidências e a OMS

Tem gente que começa o dia sem conversar antes do primeiro café. Para outras pessoas, a xícara acompanha uma reunião, uma pausa no trabalho ou simplesmente aquele momento de desacelerar. Mais do que uma bebida, o café acabou se tornando parte da rotina, da cultura e das relações sociais em diferentes lugares do mundo.

Nesta quinta-feira, 1º de outubro, é celebrado o Dia Internacional do Café, uma data dedicada à bebida e a toda a cadeia que existe por trás dela. A comemoração já era promovida pela Organização Internacional do Café (OIC), mas ganhou um novo reconhecimento em 2026: em março, a Assembleia Geral das Nações Unidas oficializou o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Café.

A escolha da data também chama atenção para quem está do outro lado da xícara. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor cafeeiro sustenta os meios de vida de cerca de 25 milhões de agricultores e suas famílias e movimenta uma extensa cadeia de produção e comércio.

Mas, para quem está diante da própria xícara, uma pergunta costuma aparecer: afinal, tomar café faz bem ou faz mal?

A resposta não é tão simples.

O que o café pode oferecer

O café é uma das principais fontes de cafeína na alimentação. A substância é estimulante e atua no sistema nervoso central, podendo aumentar o estado de alerta e diminuir temporariamente a sensação de cansaço.

Esse é um dos motivos pelos quais a bebida se tornou tão presente na rotina de quem trabalha, estuda ou precisa enfrentar longos períodos de atenção.

Além do efeito estimulante, pesquisas científicas encontraram associações entre o consumo de café e alguns resultados positivos para a saúde. Mas existe uma diferença importante entre encontrar uma associação e provar que o café é responsável por determinado benefício.

Em uma avaliação realizada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, mais de mil estudos sobre café foram analisados. A conclusão foi de que o café não poderia ser classificado quanto à sua capacidade de causar câncer em humanos, sendo colocado no Grupo 3, categoria utilizada quando as evidências disponíveis não permitem estabelecer uma conclusão.

A análise também encontrou evidências de que o consumo de café estava associado a menor risco de alguns tipos de câncer, como os de fígado e endométrio. Isso não significa, porém, que o café seja considerado um tratamento ou uma forma de prevenção contra o câncer.

Quando o café pode causar desconforto

A mesma cafeína que ajuda a espantar o sono pode provocar efeitos desagradáveis quando consumida em excesso ou por pessoas mais sensíveis à substância.

Entre eles estão dificuldade para dormir, ansiedade, agitação e palpitações. A quantidade de cafeína também varia bastante conforme o tipo de café, a forma de preparo e o tamanho da porção.

Por isso, não basta contar quantas xícaras foram tomadas durante o dia. Outros produtos também podem contribuir para o consumo total de cafeína, como chás, energéticos, refrigerantes, chocolate e alguns medicamentos.

Outro detalhe que costuma passar despercebido está no que é colocado dentro da xícara. Café com grandes quantidades de açúcar, cremes ou outros ingredientes pode ter um perfil nutricional bastante diferente do café consumido sem essas adições.

Gestantes precisam ter atenção especial

Entre os grupos que precisam observar com mais cuidado a quantidade de cafeína está o das gestantes.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que mulheres grávidas que tenham consumo elevado de cafeína, acima de 300 miligramas por dia, reduzam essa quantidade. Segundo a OMS, o consumo elevado está associado, em estudos observacionais, a maior risco de perda gestacional e de recém-nascidos com baixo peso.

A recomendação considera a cafeína de todas as fontes, e não apenas aquela presente no café. Isso é importante porque duas pessoas podem tomar a mesma quantidade de xícaras e, ainda assim, consumir quantidades diferentes da substância.

A própria OMS destaca que a cafeína também está presente em chá, refrigerantes, chocolate, bebidas energéticas e alguns medicamentos.

E o café causa câncer?

Essa é uma das dúvidas que cercam a bebida há anos.

A resposta da IARC, agência especializada em câncer da OMS, é mais cuidadosa do que simplesmente dizer que café é “seguro” ou “perigoso”. Em 2016, depois de revisar mais de mil estudos, a organização classificou o consumo de café como Grupo 3 — não classificável quanto à carcinogenicidade para humanos.

Na prática, isso significa que as evidências disponíveis naquele momento não permitiam afirmar que o café causasse câncer em seres humanos. Também não significa que a bebida tenha sido declarada completamente livre de riscos. Para alguns tipos de câncer, foram observados possíveis efeitos protetores, enquanto para outros as evidências foram consideradas insuficientes.

Há ainda uma diferença importante entre o café e a temperatura da bebida. A IARC classificou bebidas consumidas em temperaturas muito altas como provavelmente carcinogênicas para o esôfago. Nesse caso, a preocupação está relacionada à temperatura, e não especificamente ao café.

Afinal, pode continuar tomando café?

Para a maioria das pessoas, o café pode fazer parte da alimentação sem que isso signifique automaticamente um problema de saúde. O ponto principal é observar a quantidade consumida, a sensibilidade individual à cafeína e o contexto da alimentação.

Também vale prestar atenção ao próprio corpo. Se a bebida interfere no sono, provoca palpitações, aumenta a ansiedade ou causa desconforto, reduzir o consumo pode ser uma medida importante.

E talvez essa seja uma das melhores formas de celebrar o Dia Internacional do Café: aproveitar a bebida sem esquecer que, por trás de uma simples xícara, existe uma cadeia que envolve agricultores, trabalhadores, famílias e comunidades inteiras.

Em 2026, a própria ONU destacou justamente esse aspecto ao reconhecer oficialmente a data. O café é, ao mesmo tempo, produto agrícola, fonte de renda, tradição cultural e parte de pequenos momentos que se repetem todos os dias ao redor do mundo.