Feminicídios quase dobram em cinco anos em São Paulo e acendem alerta em 2026

O número de mulheres vítimas de feminicídio no estado de São Paulo cresceu 96,4% em cinco anos. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (4), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 270 mulheres foram mortas em 2025, contra 136 registros em 2021.

O estado concentra 41% dos casos registrados na Região Sudeste, índice que coloca São Paulo no centro do debate sobre violência de gênero no país. Para especialistas, o aumento reflete a persistência da violência doméstica e falhas na prevenção e na rede de proteção às vítimas.

Os números de 2026 também preocupam. Nos primeiros meses deste ano, casos com grande repercussão nacional voltaram a evidenciar a gravidade do problema, especialmente episódios ocorridos dentro de casa e praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, perfil que segue predominante nas estatísticas.

O feminicídio é um crime de gênero, na maioria dos casos ocorre em contexto de violência doméstica e familiar e é praticado por companheiros ou ex-companheiros que não aceitam o fim do relacionamento ou que enxergam a mulher como posse. A tipificação foi incluída no Código Penal em 2015 como qualificadora do homicídio, prevendo pena mais severa e reconhecendo oficialmente a especificidade da violência contra a mulher.

Apesar de avanços legislativos e da ampliação de canais de denúncia, como o 180, especialistas apontam que o enfrentamento exige políticas públicas contínuas, investimento em acolhimento e atuação preventiva, sobretudo diante de sinais prévios de agressão.

Organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres reforçam que a maioria dos casos é precedida por histórico de violência física, psicológica ou ameaças. O crescimento dos registros pode indicar maior notificação, mas também revela que a violência letal segue em patamar elevado.

Diante do cenário, autoridades e entidades da sociedade civil defendem o fortalecimento da rede de proteção e campanhas permanentes de conscientização para evitar que novos casos ampliem as estatísticas ao longo de 2026.