Dados de órgãos oficiais apontam mudanças no comportamento infantil e no tempo dedicado ao imaginário

O coelho da Páscoa, figura tradicional que atravessa gerações, ainda faz parte do universo infantil, mas a forma como as crianças se relacionam com esse tipo de símbolo vem mudando. Dados de órgãos públicos e instituições ligadas à infância indicam que o tempo dedicado ao brincar simbólico e ao imaginário tem diminuído, influenciado principalmente pelo avanço da tecnologia e pelo acesso precoce à informação.
De acordo com levantamentos do UNICEF, agência da Organização das Nações Unidas responsável por promover e proteger os direitos de crianças e adolescentes em mais de 190 países, o uso da internet tem começado cada vez mais cedo. Esse acesso amplia o repertório infantil, mas também antecipa questionamentos que antes surgiam em fases mais avançadas da infância.
No Brasil, dados do IBGE mostram que a maioria das crianças já tem contato frequente com dispositivos eletrônicos e internet, reforçando a presença da tecnologia no cotidiano. Esse cenário contribui para uma infância mais informada, porém com menor permanência no universo da fantasia.
Outro ponto relevante aparece em orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que alerta para a redução do tempo de brincadeiras livres e simbólicas. Esse tipo de atividade é considerado essencial para o desenvolvimento emocional, social e criativo das crianças, sendo fundamental para a construção do imaginário.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que símbolos como o coelho da Páscoa vêm sendo questionados mais cedo. Com maior acesso à informação, as crianças desenvolvem senso crítico de forma antecipada, o que encurta o período de crença em figuras lúdicas tradicionais.
Apesar das mudanças, o imaginário continua tendo papel importante na infância. O estímulo a histórias, brincadeiras e experiências simbólicas segue sendo essencial para o desenvolvimento saudável, mesmo em um cenário cada vez mais digital.
Mais do que desaparecer, o que se observa é uma transformação na forma como a infância é vivida. Entre telas, informação e estímulos constantes, o desafio passa a ser equilibrar o acesso ao mundo real com a preservação da magia que sempre fez parte desse período da vida.





