Infusões podem fazer parte da rotina nos dias de temperaturas mais baixas, mas alguns cuidados são importantes, principalmente com a temperatura e a quantidade de açúcar

Quando o frio chega, poucas coisas combinam tanto com o momento quanto uma xícara de chá. O hábito pode acompanhar uma manhã tranquila, uma pausa no meio do dia ou aquela noite em que tudo o que se quer é uma bebida quente nas mãos. Mas, além do conforto, o que a ciência diz sobre os chás?
De acordo com materiais da Organização Mundial da Saúde (OMS), bebidas como os chás de ervas podem fazer parte da ingestão de líquidos. Em uma publicação sobre cuidados nutricionais, a entidade recomenda o consumo de líquidos e cita os chás de ervas como uma opção.
A OMS também reconhece o uso tradicional de plantas medicinais e mantém monografias sobre diferentes espécies utilizadas na preparação de produtos à base de plantas. Isso, no entanto, não significa que qualquer chá possa ser considerado um tratamento para doenças. A própria organização destaca a importância de avaliar evidências, segurança e possíveis interações entre plantas medicinais e medicamentos convencionais.
Por isso, para os dias frios, o chá pode ser visto principalmente como uma maneira agradável de consumir líquidos e criar um momento de pausa. Camomila, gengibre e outras plantas aparecem em documentos e monografias da OMS relacionadas ao uso medicinal tradicional, mas seus efeitos não devem ser generalizados como se toda preparação caseira tivesse propriedades terapêuticas comprovadas.
O cuidado que merece atenção: a temperatura
Se existe um detalhe que merece atenção especial, é justamente aquilo que torna o chá tão convidativo no inverno: o calor.
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à OMS, classificou o consumo de bebidas muito quentes como provavelmente carcinogênico para humanos, devido à associação observada com câncer de esôfago. A recomendação não é abandonar o chá, mas evitar consumi-lo em temperaturas capazes de queimar a boca ou a garganta.
O Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer, elaborado pela IARC/OMS, também orienta limitar bebidas muito quentes, como chá, café e mate, esperando alguns minutos antes de beber.
Outro ponto está no que vai para a xícara. A OMS recomenda reduzir o consumo de açúcares livres para menos de 10% da ingestão energética diária, com benefícios adicionais quando essa proporção fica abaixo de 5%. Assim, para quem gosta de adoçar o chá, diminuir gradualmente a quantidade de açúcar é uma escolha alinhada às orientações da organização.
No fim, talvez o melhor chá para um dia frio seja aquele que combina sabor, hidratação e um pouco de tranquilidade — servido quente, mas não a ponto de queimar. E quando a intenção é usar plantas com finalidade medicinal, vale lembrar que “natural” não significa automaticamente seguro ou indicado para todas as pessoas.
Em caso de doença, uso contínuo de medicamentos, gravidez ou dúvidas sobre plantas medicinais, a orientação de um profissional de saúde é importante antes de utilizá-las com finalidade terapêutica.





