Pesquisa analisou vinhos tintos e brancos em laboratório e identificou atividade antibacteriana, mas resultado não significa que a bebida possa prevenir dor de garganta

Uma pesquisa científica encontrou uma característica curiosa em vinhos que pode ajudar a compreender melhor a composição da bebida. Em testes realizados em laboratório, pesquisadores observaram que vinhos tintos e brancos foram capazes de inibir determinadas bactérias presentes na cavidade oral, incluindo a Streptococcus pyogenes, microrganismo associado a infecções da garganta.
O estudo foi publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry e avaliou a ação de diferentes componentes presentes no vinho sobre essas bactérias. Entre os resultados, os pesquisadores identificaram que a atividade observada estava relacionada principalmente aos ácidos orgânicos da bebida.
Embora o resultado seja interessante, ele precisa ser interpretado dentro dos limites da pesquisa. Os experimentos foram realizados em laboratório, e isso não comprova que consumir vinho seja capaz de evitar uma infecção ou impedir o surgimento de dor de garganta em uma pessoa.
A descoberta também não transforma o vinho em uma alternativa de tratamento. A própria Organização Mundial da Saúde não recomenda o consumo de bebidas alcoólicas para obter benefícios à saúde e afirma que o álcool está associado a diversos riscos, inclusive quando consumido em pequenas quantidades.
Assim, o que a ciência identificou até o momento é uma atividade antibacteriana observada experimentalmente, e não um efeito preventivo comprovado em seres humanos. A diferença é importante, principalmente quando uma descoberta de laboratório passa a ser apresentada como um possível benefício do consumo da bebida.
No caso da dor de garganta, portanto, a pesquisa desperta curiosidade sobre as propriedades químicas do vinho, mas não sustenta a afirmação de que beber vinho previne o problema.





