Setembro passou rápido ou devagar para você? Por que alguns meses parecem voar e outros nunca terminam

A passagem do tempo é a mesma para todo mundo, mas a maneira como sentimos os dias pode mudar conforme a rotina, as experiências e a forma como guardamos nossas lembranças

Setembro acabou. E talvez você esteja pensando: “Mas já?”

Para algumas pessoas, o mês parece ter passado em um piscar de olhos. Para outras, setembro demorou tanto que parece ter começado há uma eternidade. O calendário é o mesmo para todo mundo, mas a sensação de passagem do tempo definitivamente não é.

E isso acontece porque existe uma diferença entre o tempo do relógio e o tempo que percebemos.

Quando os dias são muito parecidos, cheios de compromissos e tarefas repetidas, podemos ter a impressão de que o mês passou rapidamente. Na hora, uma rotina corrida pode fazer um dia parecer longo. Mas, quando olhamos para trás, várias semanas parecem ter se misturado em uma única lembrança.

Já períodos cheios de acontecimentos novos podem deixar outra impressão. Uma viagem, uma mudança, um encontro marcante, um novo trabalho ou até uma fase diferente da vida podem fazer com que existam mais acontecimentos para serem registrados pela memória. Quando lembramos daquele período depois, ele pode parecer mais longo e cheio de detalhes.

É por isso que existe uma curiosa contradição: um dia pode parecer demorar muito enquanto estamos vivendo, mas um mês inteiro pode parecer ter desaparecido quando olhamos para trás.

A rotina também pesa nessa percepção. Quando fazemos praticamente as mesmas coisas todos os dias, há menos acontecimentos distintos para separar uma semana da outra na memória. O resultado pode ser aquela sensação de que “o mês voou”.

Por outro lado, quando algo quebra a rotina, nossa atenção tende a ficar mais envolvida. Conhecer um lugar novo, aprender alguma coisa, conversar com pessoas diferentes ou simplesmente mudar o caminho de sempre pode criar novas referências para a memória.

A idade também aparece nas pesquisas sobre percepção do tempo. Uma das explicações discutidas é que, conforme acumulamos experiências, muitos acontecimentos cotidianos deixam de ser novidades. Para uma criança, um ano representa uma parcela enorme da vida e costuma ser marcado por muitas primeiras experiências. Na vida adulta, períodos semelhantes podem se tornar mais previsíveis.

Isso não significa que exista uma fórmula capaz de fazer o tempo passar mais devagar. Mas prestar atenção ao que estamos vivendo pode mudar a maneira como nos relacionamos com os dias.

Talvez seja justamente por isso que, no fim de um mês, algumas pessoas olhem para o calendário com a sensação de que não fizeram nada, enquanto outras conseguem lembrar de dezenas de momentos que aconteceram nas últimas semanas.

No fim das contas, setembro teve os mesmos 30 dias para todos nós. O que mudou foi a maneira como cada um viveu, percebeu e guardou esse período.

E agora fica a pergunta: para você, setembro passou voando ou demorou para acabar?