MASP inaugura túnel com obra inédita de Beatriz Milhazes em São Paulo

Instalação de 98 metros foi criada especialmente para a nova passagem subterrânea que conecta os dois edifícios do museu

São Paulo ganha, a partir desta quinta-feira, 11 de setembro, um novo espaço dedicado à arte. O MASP inaugura uma passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, criando uma nova ligação entre as duas construções e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para uma obra inédita de Beatriz Milhazes.

Batizada de “Pietrolina”, a instalação foi pensada especialmente para o novo túnel e acompanha seus 98 metros de extensão. O trabalho ocupa uma passagem subterrânea de 50 metros e transforma o percurso entre os edifícios em uma experiência artística.

A obra foi desenvolvida ao longo de mais de dois anos e reúne características que fazem parte da linguagem visual de Milhazes. Arabescos, listras, formas orgânicas e referências florais aparecem combinados em uma composição que acompanha o visitante durante o trajeto.

Dos 98 metros da instalação, 60 metros correspondem à pintura, enquanto os outros 38 metros recebem elementos reflexivos. A combinação cria diferentes relações entre cor, forma, movimento e espaço, fazendo com que a própria passagem deixe de ser apenas um caminho de ligação e passe a integrar a experiência de visita ao museu.

A escolha do nome “Pietrolina” também estabelece uma relação direta com a história do MASP, ao aproximar os nomes de Pietro Maria Bardi, um dos responsáveis pela criação do museu, e Lina Bo Bardi, arquiteta responsável pelo projeto do icônico edifício da Avenida Paulista.

Uma obra pensada para o espaço

Diferentemente de uma obra instalada em uma sala tradicional de exposição, “Pietrolina” foi concebida para dialogar diretamente com a arquitetura e com o movimento das pessoas. O visitante não apenas observa a produção de Milhazes, mas percorre a obra enquanto atravessa o túnel.

A instalação também amplia a presença da arte contemporânea na própria estrutura do museu. O trajeto cotidiano entre os edifícios passa a ter uma dimensão artística, aproximando arquitetura, circulação e produção visual.

Considerada uma das principais artistas brasileiras contemporâneas, Beatriz Milhazes possui trabalhos presentes em importantes coleções internacionais, incluindo o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, e o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri.

Com a inauguração, o MASP não apenas amplia sua estrutura física, mas cria uma nova maneira de experimentar o museu. Em vez de chegar a uma exposição e permanecer diante das obras, o público começa a vivenciar a arte já no caminho até ela.

E talvez esteja justamente aí o encanto de “Pietrolina”: por alguns metros, o próprio percurso se transforma em exposição.