Estamos lendo menos ou apenas de um jeito diferente? Pesquisas revelam novos hábitos dos brasileiros

Leitura digital alcança quase metade da população, enquanto compra de livros cresce entre os jovens. Os dados mostram que a relação com a leitura está mudando, mas o desafio de transformar o interesse em hábito permanece.

Quantas vezes você pegou o celular hoje para ler uma notícia, acompanhar uma história, consultar um artigo ou descobrir algo novo? Talvez tenha passado por dezenas de textos sem perceber. Mas, quando o assunto é leitura, será que estamos considerando todas as formas de ler?

Uma pesquisa divulgada em setembro de 2026 pela Nielsen BookData, intitulada Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, revelou que cerca de 49% dos brasileiros com mais de dez anos tiveram contato com algum tipo de conteúdo de leitura digital nos 12 meses anteriores ao levantamento. Isso inclui livros digitais, audiolivros, notícias, textos informativos, quadrinhos e outros formatos acessados por dispositivos eletrônicos.

O celular aparece como principal porta de entrada para esse universo. Entre as pessoas que leem livros digitais ou ouvem audiolivros, 72% utilizam o smartphone para acessar os conteúdos. O levantamento ouviu 3 mil pessoas de diferentes regiões e classes sociais, entre 1º e 11 de junho de 2026.

Ao mesmo tempo, o mercado de livros também apresenta sinais de crescimento. Segundo o Panorama do Consumo de Livros, realizado pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, 18% dos brasileiros adultos compraram pelo menos um livro impresso ou digital em 2025. O resultado representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior, equivalente a aproximadamente três milhões de novos consumidores. O crescimento foi especialmente expressivo entre os jovens de 18 a 34 anos.

Os números, porém, precisam ser interpretados com cuidado: acessar conteúdos digitais ou comprar livros não significa necessariamente manter o hábito de ler obras completas. Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil já havia apontado uma redução no percentual de leitores, mostrando que o país enfrenta um desafio que não pode ser explicado apenas pela presença das telas.

É justamente nesse cenário que surge uma questão interessante. As redes sociais, frequentemente apontadas como concorrentes dos livros, também podem despertar a curiosidade por uma história, apresentar novos autores e aproximar leitores que compartilham os mesmos interesses. Uma recomendação pode começar em um vídeo curto e terminar com alguém procurando um romance na livraria ou baixando um livro no celular.

Para muita gente, a dificuldade está em transformar esse primeiro contato em uma prática frequente. A rotina corrida, a falta de acesso a livros e a facilidade de alternar entre diferentes conteúdos podem tornar mais difícil dedicar tempo a uma única história. Ainda assim, o hábito não precisa começar com metas ambiciosas ou longas horas de leitura.

Escolher um assunto de interesse, experimentar diferentes gêneros ou reservar alguns minutos do dia pode ajudar a tornar a experiência mais natural. Também não existe uma única maneira correta de ler: há quem prefira o cheiro e o toque das páginas impressas, quem encontre praticidade nos livros digitais e quem acompanhe histórias por meio de audiolivros.

No fim, talvez a pergunta não seja apenas se os brasileiros estão lendo, mas que espaço a leitura ocupa em suas vidas e quais caminhos podem aproximar mais pessoas dos livros. Afinal, por trás de cada número existe alguém que pode estar descobrindo seu primeiro autor favorito, retomando uma história interrompida ou encontrando, em algumas páginas, uma pausa em meio à correria.

E você, costuma ler livros ou percebe que passa mais tempo lendo conteúdos no celular? A resposta pode revelar muito sobre como os hábitos de leitura estão mudando ao nosso redor.